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Que medo bobo é esse que temos da vida?

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A gente costuma ter medo de ser feliz. Essa é uma verdade incontestável que chega a ser ridícula. Por que diabos alguém teria medo de ser feliz se felicidade é, de modo geral, tudo o que buscamos na vida?

Passamos anos buscando o emprego dos sonhos, o que nos completa e nos impele para frente. Buscamos nossas paixões e o que completa nosso tempo. O homem dos sonhos, a família ideal, os amigos e a base sólida; procuramos construir o castelo perfeito.

O problema é que castelos ruem, impérios são derrubados. Está aí a história para provar. E o ser humano, pequenininho que é, sente tanto medo da perda que ao invés de curtir cada momento dessa busca e de tudo o que finalmente encontra dentro do que sempre esperou, passa seus dias com medo, vive na antecipação.

Medo de perder o emprego, medo de perder o homem perfeito, medo de não dar conta do futuro e dele não ser exatamente como planejamos. Temos medo de errar e acertar, medo de sermos imaturos, inconsequentes, imperfeitos. Temos medo de tudo e qualquer coisa que possa fugir das mãos e a verdade é que tudo pode. O medo freia o amor, estagna a vida.

Somos imperfectíveis: podemos tudo!

Mas lembrem-se: somos IMPERFECTÍVEIS! Isso é, temos a semente da perfeição dentro de nós desde que fomos criados. Dessa forma, a busca por essa perfeição – até então completamente desconhecida – é o nosso fogo. Forte e instintivo.

somos perfectíveis, chega de ter medo

Imagem retirada de Tumblr

É urgente que passemos a olhar para a vida com essa consciência e, mais importante, que essa consciência não traga somente o medo, mas traga a vontade de viver plenamente. De comemorar cada conquista e cada segundo, cada dia, cada mês após ela. É urgente que aprendamos a ficar sozinhos e curtir o nosso silêncio, o nosso crescimento e também as derrotas, pois sem elas não existe crescimento real.

“A paz que buscamos está no silêncio que não fazemos”

Não dá para terceirizar o papel de protagonista: o show é todo seu

É urgente que nos olhemos no fundo dos olhos. Vamos apreciar os detalhes, as rugas, os fios de cabelo fora do lugar. Precisamos prestar atenção no que o outro sente – o mundo não gira em torno do nosso umbigo, você pode prender coisas sobre ele que em anos você jamais saberia, porque simplesmente não estava prestando atenção. Por sinal, já falei um pouco sobre isso aqui.

Se desligue um pouco do celular e esteja presente. Eu sei que é difícil, a vida de hoje não dá pausa, dá vontade de fabricar tempo – mas acho que isso é um pouco difícil, né? Absorvemos informação o tempo todo sem nem ao menos perceber.

Nessa brincadeira não sobra espaço para uma mente limpa, para a clareza de pensamentos, tomadas de decisão e, especialmente, para a nossa presença efetiva como protagonistas do nosso show.

“Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor (Cazuza)”

O medo faz parte do meu show

Imagem retirada de We Heart It

É a ausência presente: o mal do século. E vamos pensar no seguinte: quando sentamos na plateia e andamos junto à boiada, quem fica no palco? Por tantas vezes ainda me sinto no piloto automático (Deus me livre, essa coisa de aviação é só o meu trabalho, não quero ninguém pilotando nada por mim na minha vida pessoal) e isso me gera ansiedade e um baita vazio. A sensação, quando bate, não é nada boa.

Aí nos perguntamos um tanto desesperados: Como eu fui chegar aqui? E as mil coisas que eu planejei e sonhei? Para onde eu estou indo???!!! Vamos combinar: melhor você tomar as rédeas.

que medo bobo é esse

Tenho me policiado para essa urgência e posso dizer que tenho tido momentos bonitos. Nada de espalhafatoso, mas tenho prestado atenção em mim mesma e nos outros de uma forma que a gente se esquece de fazer na correria. E tem sido gostoso.

Olhar para o Lucas bem fundo e ter a pequena pretensão de achar que estou pertinho da sua alma é uma sensação única. A gente cria um momento na simplicidade, no que passaria despercebido. É transformar o vazio.

Quando ele faz carinho nos meus cabelos e eu sinto as pontas de cada um dos seus dedos coçar a minha cabeça não é só um carinho: é uma declaração de amor. Perceber isso é que me faz querer saborear cada vez mais os meus dias e as pequenices tão grandiosas da vida.

7 Respostas
  • Lara Carolina
    dezembro 7, 2016

    Me fez pensar em um livro de psicologia que li. Se chama O ciclo da autosabotagem. Esse lance de temer a felicidade… Muito bomm entender um pouco mais disso!

    • Chantal
      dezembro 8, 2016

      Nossa que dica ótima! Vou ler com certeza!
      Obrigada Lara, gostamos muito de ter você por aqui!

  • Heber Costa
    dezembro 8, 2016

    sensacional esse tema! muito bem escrito Chan, e eu acrescentaria modestamente alguns pontos, como dizem na minha área ´´ a morte é a musa da filosofia´´ e essa frase eloquente encerra a vida em sí, e não o fim, mas sugere que homens vivem incompletos por uma unica razão, o temor e incompreensão de seu fim, os objetivos de tudo isso, porque lutar tanto, porque construir tanto se ao fim iremos todos morrer, é uma pergunta que certamente vc fará em algum momento. O segredo de viver bem é ludibriar a morte, não podemos evitar, mas é tentar o mais que se possa sermos felizes, isso é ludibria–la, as incertezas deixe-as, elas não vão nunca acabar, e se você não pode modificar esse estado de finitude, então porque sofrer?

    • Chantal
      dezembro 8, 2016

      Muito boa observação, tem toda razão em nós atentar que: de que adianta sofrer pelas incertezas? Acredito que o melhor que podemos fazer é procurar viver plenamente, nos fazermos presentes na nossa caminhada, porque o resto foge completamente do nosso controle e o destino é, no fim das contas, o mesmo para todos.

  • Rosicler Boeing
    dezembro 11, 2016

    Acho que esses temas deveriam ser abordados incessantemente porque a busca assim o é! Incessante.
    Mas a memória é curta, se perde rapidamente então há que se reavivar o tema e tentar aplicar ao dia a dia. Porque de fato, ao fim de tudo, só levaremos as lembranças da vida que tivemos!

  • Cely granado
    dezembro 11, 2016

    Otimo texto para refletir sobre o verdadeiro sentido da vida principalmente nos dias de hoje onde se da mais importancia ao ter do que ao ser. Parabens chantal peli seu blog.

    • Chantal
      dezembro 12, 2016

      Obrigada Cely! Estamos muito felizes com a sua visita, não deixe de aparecer!
      E é verdade não? Parece que há uma enorme inversão de valores por esses tempos. Mas tudo o que temos é, na verdade, nossa integridade, quem somos. Não levamos nada de material da vida, de modo que essa busca pelo “ter” é uma busca vazia.

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