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Mudamos com os anos. Ou são os anos que mudam com a gente?

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Um aniversário e mil desculpas

Queridos, hoje faço 29 anos e como não poderia ser diferente é um daqueles dias em que paramos para refletir. Agradecer, recapitular um milhão de coisas, rever alguns pontos soltos.

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Primeiro preciso explicar porque o post está saindo atrasado. Eu poderia dar o golpe e dizer que é justamente porque é o meu aniversário e queria escrever sobre isso hoje. Mas a nossa relação tem que ser honesta, como já disse neste post aqui, haha.

Ontem foi um dia atípico. Após passar 3 horas na estrada voltando de Ilhabela, São Paulo me presenteou com um transformador queimado na rua perto de casa e ficamos sem luz. Larguei as roupas que eu estava lavando, acendi uma vela (sim, fiquei morta de medo porque ontem era dia de finados) e fui fazer as “malas” para ir à minha sogra tomar banho (tirar o sal do corpo porque depois do chek-out na pousada fomos curtir uma prainha), fazer meu post de quarta, comer e possivelmente dormir.

Meu sogro não sabia a senha do wi-fi para eu poder trabalhar, um dos carros quebrou no caminho e o cansaço bateu forte. No final disso tudo meu amigo viu as luzes acessas depois de um tempo aqui no prédio e voltamos. O engraçado é tudo isso ter acontecido depois de cantalorar no carro o quanto é bom chegar em casa, irônico não?

Nós mudamos com os anos. Ou são os anos que mudam com a gente?

“Eu não abro mão nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos” (20 e Poucos Anos, Fábio Junior).

Neste aniversário acabei me reencontrando com essa música. Eu poderia ficar triste e nostálgica, mas finalmente depois de 29 anos entendi que o que o Fábio Jr. estava enfatizando com essa letra era o “não abrir mão” da nossa alegria, e não dos benditos “20 e poucos anos”. Fiquei aliviada por perceber que a idade não importa, e sim o que fazemos com ela. O que nos dá alegria muda de tempos em tempos e a gente vai simplesmente mudando o foco junto dos anos.

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Estou quase saindo dos “vinte e poucos anos” e a verdade é que estou feliz de finalmente ter aprendido a curtir a idade com tudo o que ela carrega. À poucos anos atrás olhava para os meus vinte e poucos com uma saudade que carregava uma pontinha de desespero. Lembrava de uma época em que eu curtia o presente sem pensar no amanhã: festas, baladas, shopping, amigos – isso me preenchia de tal forma que eu nem ao menos tinha tempo para me preencher. Lógico, isso só consegui enxergar com os meus quase 30.

Aquilo tudo tinha a sua beleza e o seu valor, é incontestável. Sem contar as histórias que terei para contar de uma vida bem vivida e de tempos em que tudo era satisfação imediata, sem preocupações e chororo. Mas agora penso em mim mais como na música “Primeiro de Julho”, Cassia Eller.

“Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher. Sou minha mãe, minha filha, minha irmã, minha menina. Mas sou minha, só minha, e não de quem quiser. Sou Deus, tua deusa, meu amor!” (Primeiro de Julho, Cassia Eller).

Sim, hoje sou a minha Deusa. Posso? Claro que posso. Os anos que vamos acumulando nas costas trazem consigo bagagem suficiente para sermos donos de nós mesmos e também acumular mil facetas na tentativa de lidar com a vida. Graças a Deus.

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Uma hora a gente aprende a se bastar e dar mais valor ao que construímos de sólido: especialmente as relações. Depois vem a casa, o carro e de repente até um negócio. Entendemos que as responsabilidades antes chatas – mesmo que às vezes pesem – agora são consequência de liberdade adquirida. Aprendemos a respeitar o tempo, o cansaço e às rugas (eu ainda não tenho, mas as linhas de expressão já apareceram).

Por fim, nos tornamos Deuses de nós mesmos. Com maturidade para admitir que precisamos dos outros mas nos colocando inteiros antes de tudo. A lei é máxima: “Amar ao próximo como a ti mesmo”. Como poderíamos então nos deixar de lado?

Parabéns para todos nós!

 

5 Respostas
  • Luba
    novembro 3, 2016

    Parabéns Chantal! Pelo aniversário e pela postagem. Gosto muito da maneira envolvente como você escreve. Fico esperando a próxima e, depois a próxima linha, até chegar ao fim.

  • Bruna
    novembro 3, 2016

    Lindo Chantal, se vc tá amando os 29, espere pra ver os 30… no começo fiquei preocupada e um pouco desesperada de sair dos 20 e poucos anos mas no fim das contas os 30 me trouxeram tantas coisas boas, tanta maturidade, amor próprio, personalidade q pra mim foi a melhor idade! Enjoy!!!!

    • Chantal
      novembro 5, 2016

      É o que a gente espera da vida né? Com o tempo passando a gente percebe a beleza de cada fase, ufa!

  • Heber Costa
    novembro 6, 2016

    Show!
    como dizemos em filosofia é o eterno devir, o movimento das coisas, da vida, mas o que é a vida se não voçe? como diz Heráclito: “ ninguém se banha no mesmo rio“ pois nem o homem , nem o rio são os mesmos.
    D@

  • Rosicler Boeing
    novembro 6, 2016

    Você está cada vez mais surpreendente, parabéns!

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