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Desordem e progresso: relacionamentos imperfeitos

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Gente, me perdoem! De coração: tentei postar direitinho nos dias em que costumo fazer isso, mas final de ano é uma loucura tão grande que não consegui. Primeiro que comissário em fim de ano quase não coloca os pés no chão. Aí vem os preparativos para o Natal: ceia, presentes, família chegando para se hospedar em casa…É coisa demais para uma cabecinha só, rs.

Mas aqui estou eu para falar de algo que refleti ao rever esse primeiro ano de “vida a dois” oficialmente juntos – com os trapos devidamente juntados, dividindo guarda roupas, contas, aflições, metas de vida…(a lista é longa viu?)

Todo mundo está careca de saber que a vida a dois não é propriamente fácil, não é? Não estou contando novidade nenhuma: não descobri um país nem a fórmula da Coca-Cola. Quando falo em estarmos carecas de saber, dá para ser quase literal. Algumas situações que passamos com os amadinhos nos fazem querer arrancar os cabelos para não voarmos para cima do outro com unhas e dentes (mas calma, dá para rir de tudo isso: dá uma olhada aqui).

Relacionamentos imperfeitos: sem desordem não há progresso

A minha intenção com o blog não é, jamais, mostrar para vocês o quanto o meu relacionamento é perfeito. Nada disso. Ele é todo imperfeito, já teve seus altos e baixos e até algumas ladeiras. Mas o tempo e a maturidade me ensinaram que perfeição é uma coisa muito chata. Como alguns dizem: sem a desordem não há progresso (me desculpem, mas a bandeira que o nosso país ostenta é uma furada olhando por esse viés).

a desordem nos molda

A desordem nos molda, já que abala as nossas estruturas.

Essa desordem nos molda e nos ajusta. É a desordem também que nos impele a buscar solução, usar a criatividade para solucionar problemas e fazer do que pode ser bom muito melhor.

Os relacionamentos e suas brigas idiotas

Olha, me lembro de algumas brigas tão idiotas que tivemos que hoje até acho graça. Certa vez eu e o Lucas quase nos matamos por conta de uma pasta de documentos. Fui procurar uma conta de luz na pasta e não achava de jeito nenhum. Depois de muito nervoso descobri ela lá mesmo, no meio das outras contas, porém completamente fora da ordem.

O que eu fiz? Pedi para ele – com todo o amor do mundo – que quando fosse guardar os documentos na pasta novamente passasse a colocá-los em ordem (da conta mais antiga para a mais recente), explicando como isso facilita a vida quando precisamos encontrar algum deles.

Ele não gostou porque segundo os homens isso é uma puta encheção de saco e nós mulheres tendemos a nos preocupar com coisas inúteis: “-Quando quiser a conta não custa pegar todas elas e procurar”. Eu do outro lado não gostei do jeito que ele falou. Pronto, o primeiro round começou aí.

briga de casal é uma desordem total

Partimos para o segundo, terceiro para tirar a nêga e tudo terminou empatado. Eu com as minhas razões super mega fundamentadas em estudos que fiz na minha cabeça ali mesmo, ele com as dele baseadas no que um homem acha que sabe numa relação. Brincadeira.

Nem sempre há um lugar comum. Vamos então evitar a fadiga?

A questão é que nem para tudo há um lugar comum, concordância. Nem sempre as longas discussões, que se forem traçadas em cima de tudo de que se discorda vão pouco a pouco tirando o prazer em se estar junto, vão levar a um acordo – como no caso da bendita pasta.

Pronto, eis nossa solução: eu guardaria os benditos documentos e ninguém mais precisava colocar a mão na minha pasta toda linda e organizada (tudo bem, com o tempo ele passou a guardar um papel ou outro na ordem quando sentia necessidade de mexer na minha amadinha).

Mas nem sempre é assim. Por incontáveis vezes gastamos saliva e não há solução que agrade aos dois. O que aprendi depois de longos anos? Evitar a fadiga e me atentar para o seguinte: individualidade e personalidade (com suavidade, é claro) é uma coisa maravilhosa. Você não quer ter ao seu lado um bobão sem opinião que concorda com tudo só para agradar, né?

Há bravura na leveza

Se desarmar requer muito mais coragem do que andar por aí com uma grande armadura à te defender do mundo.

Tem coisas – como o lado que o papel higiênico é colocado no banheiro (eu tenho um lado preferido porque acho mais prático na hora de puxar) – que pura e simplesmente não vão mudar a minha vida. Ou a dele. Então o que fazer? Relaxar. Já pedi algumas vezes para ele mudar o lado, mas ele não se lembra de fazer isso porque do fundo do coração: é a coisa mais irrelevante do mundo.

A desordem é prato cheio para o progresso

Pelo amor de Deus, se na altura em que estamos (vivendo junto com outra pessoa) não tivermos a capacidade, mesmo que pequena, de olhar para dentro de nós mesmos uma coisa é certa: não chegamos a lugar nenhum. Viver a dois exige antes de tudo capacidade de se reformar e fazer o tal progresso. Para isso a desordem é um prato cheio!

Quando digo isso não estou afirmando que precisamos ser “outras pessoas” para dar certo com alguém. Mas como já falei: não existe perfeição. Então a primeira coisa é reconhecer que também não somos perfeitos, de forma que assim como há coisas no outro que gostaríamos que fossem diferentes certamente há em nós mesmos.

É isso mesmo gente: quando digo que meu relacionamento é imperfeito e brinco com o nome do blog o chamando de União Instável estou abrindo a cabeça e aceitando que nada é estático, não existem fórmulas ou pessoas perfeitinhas. Existe sim, como no nosso caso, o que se encaixa perfeitamente para alguém ou um casal.

Estou reconhecendo que somos seres instáveis: mudamos com o tempo, com algumas situações, nos moldamos. Somos aquele vendaval de sentimentos embolados com a ânsia em se tornar melhor, encontrar paz interior ao descobrirmos finalmente quem realmente somos!

Aplausos para a nossa desordem

Palmas para as nossas imperfeições. Palmas para a desordem que há dentro de nós. Palmas para as desordens nos relacionamentos. Palmas para tudo que nos faz ter o ímpeto de buscar o progresso e aprender, trocar e assim nos fortalecer – individualmente e como casal. Palmas para a nossa capacidade de fazer esse rebuliço interno, abalar as estruturas. Sem se cobrar pela perfeição podemos sim curtir nossa caminhada meio reta, meio torta, meio SÓ NOSSA. Amém!

1 Resposta
  • Luba
    dezembro 30, 2016

    kkkk.., Já havia lido sobre essa quatão do papel higiênico… Deixar o rolo de papel higiênico pronto para ser desenrolado de cima para baixo é, segundo seu inventor, e minha preferência, a maneira correta de utilizá-lo… então, no outro sentido deve ser somente tolerado… Muito legal o texto…

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